quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Na Escuridão da Noite


Passava da meia noite quando Jeremy saiu da casa da namorada. Ela insistiu para que ele passasse a noite por lá, achava muito perigoso o rapaz andar pelas ruas escuras do bairro, ainda mais naquele horário. A preocupação da garota tinha um motivo. Naquela noite choveu muito forte, uma chuva acompanhada de raios, trovões e um vendaval que contribuiu para que não só aquele bairro, mas vários outros ficassem sem energia elétrica. Mesmo com a insistência da amada, Jeremy disse que precisava ir, disse que tinha coisas a fazer, e com um beijo apaixonado despediu-se da garota e saiu em caminhada até à paragem de autocarros mais próxima. 
Como se já não bastasse a desconfortante escuridão, o frio e o sereno, a noite ainda contava com o som sinistro que a ventania provocava ao bater nas árvores. Isso fez com que Jeremy apressasse os passos. Ele apressou-se tanto que em poucos minutos chegou à paragem, mas estava receoso, não sabia se realmente apanharia o autocarro, pois as ruas estavam desertas e poucos carros passavam. Mas para o seu alivio, o autocarro apareceu logo e assim ele pode seguir o caminho de casa. Jeremy desceria apenas na última paragem, pois morava perto do terminal rodoviário e, nesse trajeto, aproveitou para puxar uma conversa com o motorista, que aliás era seu amigo, sobre a tempestade daquela noite. A situação era muito critica, toda a cidade estava as escuras, havia policias e bombeiros auxiliando as pessoas, recomendando que todos fossem o mais rápido possível para as suas casas. 
Cerca de vinte minutos depois o autocarro chegou ao seu destino. Jeremy continuava a conversar com o motorista enquanto as poucas pessoas que estavam no autocarro desciam, mas, antes de fechar as portas do veiculo em definitivo por aquela noite, algo chamou a atenção dos rapazes. Lá no fundo, precisamente no último assento do lado esquerdo do autocarro, havia uma velha senhora, sentada, com os braços cruzados, com a cabeça abaixada parecendo estar dormindo. O motorista ficou confuso, aquela velha senhora havia entrado no autocarro com algumas pessoas, no qual se destacavam pela vestimenta antiquada e de cor preta, mas todos desceram em várias paragens antes do destino final. O motorista foi até a senhora na intenção de acordá-la e também , saber se ela estava bem. Jeremy acompanhou-o. Foram várias as tentativas de acordar a velha senhora, mas ela não esboçou nenhuma reação, nem com os chamados, nem com os toques no ombro. O motorista colocou a mão na testa da idosa e percebeu que a temperatura do corpo dela estava muito baixa. Jeremy e o motorista encheram-se de medo, achavam que a velha tinha falecido ali mesmo. Jeremy tirou o seu telefone telemóvel do bolso e enquanto tentava ligar para a policia, notou que a velha abriu os olhos. Aquela idosa, de aparência frágil e dócil, com uma impressionante rapidez, segurou o braço do motorista e com a voracidade de um animal selvagem, deu uma mordida cravando bem fundo seus dentes pontudos, para logo a seguir arrancar um enorme pedaço de carne. O motorista deu um enorme grito de dor e, tentando livrar-se da velha, tropeçou e caiu de costas no chão. Jeremy, mesmo apavorado com o que acabara de ver, conseguiu arrastar o amigo e tirá-lo para fora do autocarro. A velha perseguiu os dois. Ela andava muito rápido para alguém da idade que aparentava ter. Os outros motoristas e funcionários do terminal rodoviário, ao ouvir os gritos desesperados, foram até o local e também se apavoraram com a horripilante senhora, que estava parada, olhando para todos ao redor com os seus olhos vermelhos e o seu rosto desfigurado e medonho. O estranho era que ela ficava abaixada, parecendo estar em posição de ataque, quando de repente ela avançou sobre todos. Alguns correram para a rua, outros trancaram-se numa sala dentro do terminal, mas um rapaz que não conseguiu fugir foi atacado pela velha senhora, que literalmente devorou o seu rosto. Por uma janela, Jeremy e outras pessoas que estavam escondidas, viram a velha deixar o corpo do rapaz.

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